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Dança - Performances

Anima por Sara Aleixo 

Realizado por: Sara Aleixo

ÍNDICE
1. A Respiração 2. Aspectos Anatómicos e Fisiológicos 3.Respiração, Meditação e Movimento 4.Bibliografia

1. A RESPIRAÇÃO - Topo

Estava sentada num jardim, o único espaço verde num raio de "não-sei-quantos" quilómetros de uma cidade cheia de quadrados de cimento. O único sítio mais perto da terra.

No centro do jardim, uma fonte rodeada por colunas quase gregas, ao lado das quais se sentavam pessoas. À volta da fonte, bancos de ferro lotados de gente a ler, a conversar, ou, simplesmente a apanhar sol ou a descansar.

Sentada num dos bancos, ao lado de um velhinho com uma bengala na mão, comia um cornetto de morango (eu, não o velhinho), e esperava a hora da consulta no dentista, quando percebi finalmente o que significa o espaço pessoal e o interpessoal.

Tantas pessoas amontoadas num espaço tão pequeno!

O facto é que cada vez mais temos de nos constranger, de diminuir o nosso espaço envolvente e de partilhá-lo. A distância física entre as pessoas está a desaparecer. Já não temos todo o oxigénio do mundo para respirarmos e, ainda por cima, temos que "levar" com o dióxido de carbono dos outros!

Ao olhar de fora para este jardim, finalmente percebi que a respiração também ocupa espaço e, cada vez mais, temos menos espaço para respirar.

2- ASPECTOS ANATÓMICOS e FISIOLÓGICOS

Desde que a atmosfera se foi tornando mais oxidativa, ou seja, que a concentração de oxigénio gasoso aumentou, os seres vivos foram evoluindo, das bactérias anaeróbias às aeróbias, dos seres multicelulares ao Homem.

O oxigénio esteve presente na evolução do Homem enquanto ser vivo, mas também se tornou importante na sua evolução enquanto espécie, isto é, quando o Homem se libertou da locomoção quadrípede e se tornou mais erecto, as estruturas musculares e ósseas envolvidas neste processo estavam também estreitamente associadas às estruturas necessárias à respiração.

Por outras palavras, os músculos e ossos responsáveis pela manutenção da postura e equilíbrio estão também associados à função respiratória, o que nos revela a estreita interdependência entre estes parâmetros.

Assim, uma postura correcta e um perfeito equilíbrio do peso do corpo estão mais relacionados com uma respiração correcta do que com uma noção algo duvidosa de "direito", já que, até a coluna vertical, que supostamente deveria ser "direita", tem as suas curvaturas tão naturais e já conhecidas, as lordoses cervical e lombar e cifoses dorsal e coccígea.

Segundo Mabel E. Todd [1] , as costelas devem ser mobilizadas, de forma a que os músculos intercostais estejam livres a desempenhar as suas funções de respiração. Estes não devem ser usados para sustentar um peito rígido mas um peito móvel, melhorando a adaptação dos músculos espinais aos pequenos ajustamentos em resposta à respiração e ao equilíbrio do peso. O peito deve também estar direccionado para cima, sendo assim mais fácil de sustentar, pois as forças de compressão viajam pelos corpos vertebrais, pela coluna até ao pélvis.

Mas o factor mais importante na respiração é o diafragma. "Como o equador, é a linha que divide as duas grandes metades do ser: o consciente do inconsciente, o voluntário do involuntário, o esqueleto do visceral [2] ". Juntamente com os músculos da parede antero-lateral, o diafragma é também fundamental na manutenção da postura e do equilíbrio.

Porque tanto a postura como o equilíbrio do peso e a respiração são bases fundamentais para o movimento, as variadas disciplinas do corpo (e do espírito) desenvolveram ideias e técnicas em que a respiração assume o papel fundamental.


3- RESPIRAÇÃO, MEDITAÇÃO e MOVIMENTO

A respiração como método de desenvolvimento espiritual é uma técnica muito antiga. Em Yoga, por exemplo, ela é utilizada há aproximadamente 4000 anos, numa prática chamada pranayama. Prana é a palavra sânscrita para sopro, espírito ou energia universal, onde reside a crença de que a respiração é manifestação da presença espiritual na matéria. Neste sentido, o que importa na respiração yoggi, não é o oxigénio que se extrai no ar, mas a força vital que nele existe.

Os japoneses usam a palavra ki e os chineses chi, para denominar esse princípio essencial de harmonia, de força vital presente em todas as coisas. É uma componente fundamental das artes marciais - Tai Chi Chuan, Chi Kung, Aikido, por exemplo.

No ocidente, estes conceitos são talvez mais recentes. Henry Bergson, referia-se a essa energia como o élain vitall, a força criadora, que tanto se manifesta na natureza, para criar novos seres, como nos homens através de uma emoção criadora.

Hoje em dia, a ciência reconhece os benefícios da respiração, tanto os físicos como os mentais e emocionais. A respiração é essencial para o cumprimento das funções metabólicas celulares, em especial, das células do cérebro, melhorando a concentração, memória e controlo das emoções. Não existe melhor remédio para o stress que uma profunda respiração!

Como já foi referido, a respiração correcta é essencial para uma postura correcta e um melhor controlo do equilíbrio do corpo, por isso, o primeiro passo para o movimento deve começar por tornar a respiração consciente.

A Yoga privilegia a expiração, pois uma expiração completa favorece uma inspiração mais profunda. Esta ideia é fundamentada, pois à contracção extrema de um músculo segue-se o seu relaxamento (reflexo miotático inverso). Assim, esta técnica sugere o relaxamento do diafragma como base para uma respiração mais completa. São identificadas três formas de respiração na Yoga: a diafragmática, a toráccica e a clavicular. Uma respiração completa será uma sequência destas três. Em conjunto com as poses de Yoga, a respiração unifica o corpo e a mente, equilibrando as energias opostas e aprofundando o relaxamento do corpo em cada posição.

No Karaté, o ki, a energia interior, intensifica a eficácia de cada técnica, e, por isso, o executante deve expirar no ponto de contacto, renovando assim a sua energia.

No desporto, privilegia-se a práctica de exercícios aeróbios, já que estes induzem a um aumento na produção de ATP, fornecendo mais energia ao indivíduo e protegendo-o dos efeitos secundários dos exercícios anaeróbios, muitas vezes negligenciados por ignorância.

Não há dúvida de que só temos a ganhar com o ar puro, o pior é que cada vez mais ele escasseia e mais se torna difícil convencer o mundo inteiro de que as coisas têm de mudar, se quisermos ter algum espaço para respirar.

4- BIBLIOGRAFIA

TODD, Mabel E. The Thinking Body. Dance Books, 1997, London.

FELDENKRAIS, Moshe. Awareness Through Movement: health exercises for personal growth. Penguin Books, 1990, Arkana.

CONSULTAS na INTERNET

http://www.drweilselfhealing.com/past/may98.html

http://www.mv.com/ipusers/howell/ejh/HTML/breathing01.htm

http://www.arches.uga.edu/~niederm/BREATH2.html

http://abel.hive.no/oj/musikk/trompet/exercise/yoga.html

http://www.northnet.org/americankagdukwon/akdwmedi.html


[1] TODD, Mabel E. The Thinking Body: Chapter VI - Balancing Forces to Stand Erect (p.166-169).

[2] TODD, Mabel E. The Thinking Body: Chapter VIII - Breathing (p.117).

 
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